“Se aos 30 anos você está sem flexibilidade e fora de forma, você é um velho. Se aos 60 anos você é flexível e forte, você é um jovem.” ( Joseph Pilates)
A articulação do ombro é a articulação com maior mobilidade dentre todas no corpo, isso a torna muito instável, pois além de oscilar ao longo do membro superior pelo corpo, a força da gravidade favorece as frequentes lesões do ombro.
Por isso nesse texto iremos abordar como podemos trabalhar no pilates, uma das lesões na articulação, no manguito rotador. Além disso vamos explicar toda a estrutura do ombro e algumas dicas de exercícios.
O complexo articular do ombro
O complexo articular do ombro é composto por 5 articulações:geno-humeral, subcromial ou supraumeral, escapulotorácica, acromioclavicular, esternoclavicular.
Essa articulação é responsável por realizar movimentos em 3 planos de espaço; os movimentos de flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna e externa, circundução e flexo extensão horizontal.
A junção da articulação do ombro está garantida por ligamentos e músculos, sendo esses os:lig.coracoumeral,lig.glemoumeral .
Já os músculos são divididos entre os responsáveis por unir a cabeça do úmero na cavidade glenóide e os que evitam o descolamento da cabeça do úmero ao segurar uma carga na mão e o efeito de gravidade.
Os primeiros são o supraespinhal,infraespinhal, redondo menor, subescapular e o tendão da cabeça longa do bíceps braquial. Os outros são o deltóide, peitoral maior, coracobraquial, cabeça longa tríceps braquial, porção longa subescapular e bíceps braquial.
A lesão no manguito rotador
O funcionamento do ombro é fundamental para realizar atividades durante a rotina, tal esses como se alimentar, se higienizar, vestir-se…. Sendo assim, uma lesão nessa articulação prejudica a qualidade de vida de seu aluno, e produz dor e limitação no movimento.
Uma das lesões mais comuns nas articulações do ombro, é especialmente no manguito rotador, e especificamente tendinites no tendão do supraespinhal e na maior parte do bíceps braquial.
O manguito rotador é composto pelos músculos supraespinhal, infraespinhal, subescapular e redondo menor.
A lesão do manguito rotador pode ser ocasionada por diversos motivos, dentre eles:
O predomínio dos músculos captadores longitudinais
Traumas e micro traumas repetidos
Uso excessivo do mesmo em atividades físicas
Sobrecarga em atividades, no trabalho (trazer repetidamente o braço acima da cabeça)
Importante lembrar que em adultos mais velhos por um processo degenerativo progressivo, biomecânica e mobilidade inadequada da junta, instabilidade do ombro.
As lesões produzidas no manguito rotador causam dor e impotência para realizar movimentos de abdução, flexão e rotação externa e interna e durante a noite a dor aumenta pois é quando o paciente se apoia em cima do ombro afetado para dormir.
Como podemos ajudar o aluno com Pilates?
É importante em um primeiro momento realizar uma anammenese adequada , por isso interrogue o aluno as seguintes questões:
Qual parte do corpo doe e quando doe
Quais movimentos praticados que causam dor
Avalie a capacidade do movimento sem dor
A medicação e tratamento que estão sendo realizados
Se o aluno sofre com essas dores frequentemente ou se é a primeira vez
O que foi feito para causar essa dor; essa dor é causada por uma atividade cotidiana, de trabalho ou de esporte?
Lembre-se de considerar a idade do paciente, é muito importante pois para os adultos mais velhos, o processo normalmente de natureza degenerativa.
Observe também quando o aluno se move e assim ajuda a detectar compensação. Além disso torne os exercícios semiológicos, para assim avaliar quais os músculos específicos são afetados pela doença.
Um programa de trabalho com pilates deveria conter:
Estabilização estática e dinâmica da articulação e escapulo torácica, pois geralmente ela não é estabilizada.
A dissociação de movimento da escápula e do úmero.
Mobilização da articulação do ombro
Fortalecimento da articulação do ombro
Integração dos conceitos anteriores as atividades da vida diária, tanto no trabalho como no esporte
Um dia boa é começar a trabalhar com pilates após a fase aguda, pois após a conclusão do tratamento de fisioterapia correspondente e autorização médica para pilates ou se o professor de Pilates é fisioterapeuta, começar a reabilitação com o protocolo tradicional e de pilates therapeutics .
Para poder estabilizar a articulação do ombro, é necessário que o aluno sinta seu corpo, a escapula e os movimentos que está praticando. Podemos fazer mobilizações para poder entender como estabilizar.
Algumas dicas para isso é realizando a proteção e retratação, elevação e depressão, abdução e adução de escapulas, comparando esses movimentos com a posição neutra da escapula você irá conseguir identificar facilmente a estabilização.
Mobilizar a articulação do ombro sem carga, e em diversos movimentos sem causar dor, efetuar flexões, extensões, abduções, aduções e rotações internas e externas.
É importante se lembrar de realizar esses movimentos sem carga e com amplitude suficiente para não causar dor. Ao realizar os movimentos, indicar ao aluno a sensação de colocar a parte inferior da escápula em um “bolso” e manter a escápula lá, isso é feito para o aluno aprender estabilizar a escapula e dissociar o movimento relativo a escápula do ombro.
Exercícios para a lesão no manguito rotador
Indico exercícios ativos com os equipamentos de pilates para mobilizar a articulação do ombro mantendo a estabilidade dinâmica da escapula. Por exemplo levantamentos e retrações, alguns no cadilac com a barra push-through com molas de cima, fazer o mesmo para adicionar apenas um braço e coluna rotativa.
Promover o fortalecimento mediante contrações isométricas em posição neutra com o aro mágico,com uma bola média ou pequena e com os dois braços ou com um braço só pressionando sobre o corpo.
A medida que vai progredindo junto ao treinamento a mobilidade e estabilidade, é importante fortalecer a articulação com exercícios isométricos, em seguida isotônicos concêntricos e excêntricos, utilizando equipamentos do pilates. Primeiro com pouquíssima carga e em seguida ir aumentando a carga, de acordo com a tolerância do aluno, por exemplo:
A expansão torácica no reformer, preparação do remo que é feito para frente e para trás, série de braços, pulling straps e side arms.
Tração e retração na chair, de bruços com os dois braços simultaneamente alternados mais a rotação da coluna, rotação propensa e swan com um braço.
Utiliza a barra de push-through com molas de cima para realizar exercícios concêntricos, excêntrico da articulação do ombro, com apenas 1 ou 2 braços.
Geralmente as condições que se encontra o manguito rotador, pode gerar dor na zona cervical, causada consequentemente pela tensão provocada pela dor. Para isso mobilizar e esticar o pescoço, faça movimentos de rotação, flexão, extensão e inclinação da coluna cervical sem compressão.
Coloque o aluno em decúbito supino com uma bola de 20 centímetros aproximadamente, um pouco murcha e mobilizar o pescoço sobre a mesma adicionando mobilidade na articulação do ombro para relaxar o aluno.
Conclusão
Espero que esse texto esteja bem completo para você instrutor conseguir tratar esse tipo de lesão com seu aluno. A lesão no manguito rotador é mais comum do que se pode imaginar, por isso temos que estar preparados para receber e identificar as dores desses alunos.
Você já deve ter ouvido falar sobre bursite ou até mesmo conhece alguém que já passou ou passa por esse problema, não é mesmo?
A matéria de hoje veio pra falar um pouco sobre essa doença e apresentar dicas de como conviver com ela e praticar o pilates sem desconfortos!
Mas o que é bursite?
Existe algo chamado bursa, que é uma “bolsa” cheia de líquido que se encontra internamente nas articulações. Tem como principal função amortecer e proteger o atrito entre as estruturas ósseas, minimizando os esforços dos tecidos moles (tendões e músculos).
A bursite é a doença inflamatória dessa bolsa, que pode ser ocasionada devido à esforços repetitivos, traumas, infecções, artrites, entre outras causas. O seu diagnóstico é definido pelo médico ortopedista através de testes físicos ou também exames de imagem.
Os principais sintomas são:
Dor localizada
Falta de mobilidade
Rigidez nas articulações
Hipersensibilidade ao toque ou apoio na região afetada
Inchaço – devido à produção de mais líquido
Antes de qualquer coisa, é muito importante ressaltar que o tratamento deve ser seguido conforme orientação médica e que, em fases agudas de dor, o indivíduo deve respeitar o repouso até que a inflamação diminua.
Porém, após esse processo, os exercícios são bem vindos e muito importantes para evitar que a bursite volte a aparecer. O pilates é o aliado perfeito para fortalecer e mobilizar as articulações gradualmente.
Como iniciar a prática de exercícios com cuidados no quadril
A doença pode acometer qualquer articulação, porém é mais comum nos ombros e quadris. Falaremos hoje especialmente sobre bursite no quadril .
Vamos falar de 4 pontos importantes que devem ser considerados a fim de não incomodar a bursa do quadril neste início de prática de exercício.
1 – Evite os apoios laterais sobre o quadril
No repertório de pilates existem alguns exercícios em decúbito lateral, como a família de exercícios do Side Kick. São exercícios de grande importância postural e que promovem uma boa consciência do controle do powerhouse, além de não exercer sobrecarga no eixo axial.
Uma opção para trabalhar essa postura é transferir a descarga de peso para a região superior e inferior ao trocânter do fêmur, adaptando com apoios macios.
2- Atenção à amplitude de movimento em rotação interna e externa e abdução e adução de quadril
Uma característica importante da bursite trocantérica é a tensão que ela causa na banda iliotibial e glúteos médios, apesar de sua fraqueza e ineficiente estabilização. Dessa forma, é necessário cautela com os movimentos de abertura da perna e rotação na busca desse fortalecimento.
Lembre-se que o atrito é uma das causas da bursite e os movimentos em grandes amplitudes podem incomodar a bursa durante o processo de fortalecimento.
Escolha movimentos de menor amplitude e baixa sobrecarga. O pilates nos oferece a série Leg Springs Series Supine, que realizada de forma adaptada, pode ser uma boa opção.
Além de restabelecer a mobilidade articular , dá assistência ao movimento e possibilita o aumento da resistência de forma gradual.
3- Atenção para o padrão de movimento dos MMII
Observe o aluno durante sua movimentação em exercícios globais, como a marcha e o agachamento (sem sobrecarga), por exemplo.
Se houver desvios de alinhamento dinâmico, como joelhos valgos durante o agachamento, foque primeiro na educação do alinhamento no corpo do aluno . Sem essa percepção, ele provavelmente continuará a se mover de forma ineficiente no dia a dia.
Olhe para a descarga de peso equilibrada nos pés e construa essa nova organização dos MMII.
4- Mantenha sempre os cuidados necessários voltados para a prevenção da bursite .Manter o fortalecimento dos estabilizadores de quadril e a postura é prioridade no processo de prevenção da bursite de quadril. A biomecânica eficiente do corpo é a melhor arma contra qualquer patologia.
Concluindo…
É muito importante ter cuidado ao tratar alunos/pacientes com esses sintomas determinantes de Bursite. Por ser um problema nas articulações, qualquer movimento errado pode causar uma grande dor para quem está praticando.
A hérnia de disco é considerada uma patologia extremamente comum, que causa séria inabilidade em seus portadores. Cerca de 5,4 milhões de brasileiros sofrem de hérnia discal, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A hérnia discal ocorre principalmente entre a quarta e quinta décadas de vida (idade média de 37 anos), apesar de ser descrita em todas as faixas etárias.
Estima-se que 2 a 3% da população possam ser afetados, com prevalência de 4,8% em homens e 2,5% em mulheres, acima de 35 anos. Em 76% dos casos há antecedente de uma crise lombar, uma década antes.
Diante desses dados pode-se concluir que é muito comum ter alunos com essa patologia em seu estúdio. Pensando nisso fiz um texto completo com tudo que você precisa saber sobre a hérnia lombar e como o pilates pode ajudar.
A Hérnia Lombar
A hérnia lombar consiste de um deslocamento do conteúdo do disco intervertebral – o núcleo pulposo – através de sua membrana externa, o ânulo fibroso, geralmente em sua região póstero lateral.
Estudos recentes demonstraram que, a partir dos 25 anos, as fibras do anel fibroso começam a degenerar. Isso pode levar a produzir rachaduras em suas diferentes camadas.
Assim, sob uma pressão axial, o núcleo poderia passar através das fibras do anel.
A fuga do núcleo pode ser anterior (mais raros) ou posterior (mais frequentes).Das hérnias discais lombares, 90% estão localizadas em L5-S1 e L4-L5. As hérnias lombares mais comuns são as paramedianas e colateral direita ou esquerda.
São fatores de risco, causas ambientais, posturais, desequilíbrios musculares e possivelmente, a influência genética.
Fatores de risco ambiental seria por exemplo hábitos de carregar peso, dirigir e fumar, além do processo natural de envelhecimento.
Tipos de Hérnia Lombar
Hérnia intra-esponjosa ou Hérnia de Schmorl
Invaginação de caráter degenerativo do disco para o interior do corpo vertebral.
Protusão Discal
Quando o núcleo rompe parcialmente as fibras do anel, mas permanece contido pelas fibras mais externas.
Quando o núcleo se difunde e chega até o ligamento posterior
Extrusão Discal Contida: na qual o núcleo rompe completamente as fibras do anel, mas mantém integro o ligamento longitudinal posterior. Se ele estiver unido ao núcleo, pode se reintegrar através da tração.
Extrusão Discal não contida: quando o núcleo herniado vai além dos limites do ligamento longitudinal posterior, podendo ficar livre no interior do canal vertebral.
Hérnia sequestrada: quando parte do núcleo fica bloqueado sob o ligamento comum posterior e as fibras do anel que se fecham atrás dela, impedindo o retorno. No interior do foramem.
Hérnia migratória: após chegar ao ligamento comum posterior, a hérnia pode deslizar para cima ou para baixo.
O quadro clínico típico de uma hérnia discal inclui lombalgia inicial. E pode evoluir para lombociatalgia (em geral, após uma semana) e, finalmente, persistir como ciática pura.
Um exame físico adequado é essencial para isso. Podendo inclusive, através de cuidadosa avaliação de dermátomos e miótomos, determinar o espaço vertebral em que está localizada a hérnia.
O que é importante enfatizar é que a história natural da ciática por hérnia de disco é de resolução acentuada dos sintomas em torno de quatro a seis semanas.
Tipos de Tratamento para Hérnia Lombar
O tratamento inicial da hérnia lombar deve ser sempre conservador, explicando ao paciente que o processo tem um curso favorável.
No início, logo após a crise o tratamento é medicamentoso com repouso. Após esse período o médico encaminha o paciente para o tratamento conservador.
Esse tratamento pode ser fisioterapia convencional, Reeducação Postural Global, Terapia manual. Como, por exemplo, Maitland, Osteopatia e miofascioterapia, Acupuntura, Hidroterapia, Pilates.
Cirurgias
Apenas 2 a 4% dos casos têm indicação cirúrgica (síndrome da cauda equina, surgimento de déficits neurológico rápido progressivo).
Atualmente as cirurgias para hérnia lombar vêm evoluindo no sentido de se tornarem cada vez menos invasivas. Importância especial tem sido dada ao uso do microscópio cirúrgico e instrumental para microcirurgia, cirurgias percutâneas e endoscópicas.
Pesquisas relatam a efetividade do tratamento cirúrgico em relação ao tratamento conservador. Contudo, em outras pesquisas, mostra-se igual progresso em ambos os tipos de tratamento e em outros estudos revelam resultados cirúrgicos não satisfatórios a longo prazo.
Tratamentos em cada uma das etapas da reabilitação
Fase aguda
É iniciada com repouso absoluto para que o disco lesado não sofra mais compressão. E medicamentos para alívio de dor e diminuição da inflamação. (Henneman e Shumacher, 1995).
Metas: aliviar a dor, promover relaxamento muscular, diminuir o edema e a pressão contra as estruturas nervosas sensíveis a dor (repouso intercalado com períodos de movimento controlado, técnicas fisioterapêuticas, massagem, manobras miofasciais, tração, Maitland e reeducar o paciente.
Fase Subaguda
Nesta fase a dor já é mais suportável e permite exercícios de alongamento e gradual fortalecimento muscular.
Ensinar ao paciente a percepção postural, princípios de estabilização, exercícios de fortalecimento de tronco e aumento de resistência à fadiga.
Incluir fortalecimento de membros inferiores para dar suporte ao corpo para usar a mecânica corporal. Fortalecer membros superiores para carregar objetos sem induzir desvio e sobrecarga do tronco.
Ensinar movimentos simples de coluna em amplitudes livres de dor.
Ensinar ao paciente como contrair isometricamente os músculos abdominais e extensores da coluna. Para assim manter o controle da posição estendida enquanto realiza movimentos simples dos membros.
É fundamental a melhora da postura para os pacientes com hérnia lombar. Já que muitos apresentam déficit postural como encurtamento dos músculos ísquiotibiais, insuficiência dos músculos do abdômen e dos extensores lombopélvicos, consequentemente aumento ou retificação da lordose lombar, favorecendo assim a degeneração discal.
Fase Tardia
Em geral, o paciente apresenta apenas desconforto. É importante a manutenção da elasticidade e do tônus muscular associado aos cuidados posturais.
O paciente ainda terá restrição na flexibilidade (devido a tecido cicatricial restritivo ou adesões), limitação na força e resistência à fadiga nos músculos posturais e dos membros e execução lenta.
Na hérnia de disco falta mobilidade de coluna lombar. Consequentemente, a capacidade de inverter a curvatura para exercícios de força abdominal mesmo tendo conseguido o alongamento de ísquiotibiais.
Alguns movimentos ou posições devem ser evitados por pacientes com hérnia de disco:
Flexão da coluna;
Flexão com rotação da coluna lombar, principalmente com carga;
Retroversão pélvica, principalmente com carga;
Fortalecimento de abdominais em retroversão.
Como o Pilates pode auxiliar no tratamento?
O Pilates tem sido procurado como Método de tratamento por se mostrar bastante eficaz.
Os exercícios de pilates podem ser praticados por pessoas que buscam a prática de atividade física. E também por indivíduos com patologia que necessitam de reabilitação. Principalmente as desordens neurológicas, ortopédicas, dores crônicas e problemas ortopédicos e problemas da coluna vertebral.
O método pilates utiliza-se de seis princípios para a aplicabilidade da técnica que são: concentração, controle, o centro, movimentos fluidos, precisão e respiração.
É uma técnica que visa trabalhar força, alongamento e flexibilidade mantendo as curvaturas fisiológicas do corpo. Tendo o abdômen como o centro de força, que é utilizado em todos os exercícios.
As vantagens do Método para os praticantes são inúmeras. Dentre elas podemos destacar a melhora do condicionamento físico, flexibilidade, amplitude muscular, alinhamento postural, estimulação da circulação e melhora da coordenação motora, tais benefícios têm como objetivo prevenir lesões e alívio de dores crônicas.
Pilates é uma modalidade de exercício utilizada com o objetivo de melhorar a estabilidade da coluna, bem como resistência e força dos músculos do tronco.
Esse método enfatiza o fortalecimento dos músculos abdominais e lombares usando diferentes abordagens. Enquanto mantêm uma boa postura e alinhamento corporal.
A musculatura abdominal tem um importante papel de suporte que representa integridade para a coluna lombar. Os músculos abdominais, principalmente os transversos e os oblíquos, produzem a pressão intra-abdominal através de contração reflexa. E é esta pressão que, agindo sobre o diafragma serviria como um mecanismo de atenuação de cargas compressivas sobre os discos intervertebrais.
O Power House
Os exercícios de fortalecimento da musculatura abdominal no pilates melhoram a nutrição discal. Isso porque aumentam a difusão passiva de oxigênio e diminuir a de hidrogênio.
Conhecido no pilates como “centro de força”, “casa de força”, o power house pode ser descrito como o fundamento mais precioso do método pilates.
Para Joseph Pilates , o power house era a parte mais importante do corpo humano e de seu método, constituindo a base da caixa torácica e a linha que vai de um quadril a outro.
Os músculos que o formam sustentam a coluna, os órgãos internos e a postura. Podemos descrevê-lo como um cilindro de estabilidade tridimensional ao redor da coluna, cujo fortalecimento é o maior objetivo do pilates.
O centro de força primário é constituído pelo reto do abdômen, oblíquos, multífido, assoalho pélvico, diafragma, glúteos, psoas e o transverso do abdômen.
O termo “core” tem sido usado para se referir ao tronco, ou mais especificamente à região lombo pélvica do corpo. A estabilidade da região lombo pélvica é crucial para propiciar uma base para os movimentos das extremidades da parte superior e inferior do corpo, suportar cargas e proteger a coluna.
O core é formado por 29 pares de músculos com a função de estabilizar a coluna e a pelve durante os movimentos, mantendo um alinhamento adequado da coluna. Esses músculos podem ser divididos em duas categorias: músculos locais e músculos globais.
A ativação correta do power house tem apresentado sucesso na diminuição de dores lombares.
Benefícios do Pilates para hérnia de disco
Lima et al., em 2009, realizou um estudo em pacientes com hérnia de disco lombar utilizando o método pilates para o ganho de flexibilidadedos músculos ísquiotibiais.
Observou-se uma melhora significativa da flexibilidade, porém concluíram que apesar dos resultados, estudos adicionais devem ser realizados.
O Pilates costuma ser efetivo nas dores causadas pela hérnia de disco porque os exercícios geram um maior afastamento entre as vértebras, graças a movimentos de
Com os exercícios do método a postura melhora, os músculos adquirem maior tonicidade. As articulações tornam-se mais flexíveis e a forma do corpo torna-se mais equilibrada, ereta e alongada.
O pilates pode ser usado como progressão do tratamento. Ou ainda, para prevenção de dor lombar, através do equilíbrio funcional dos músculos envolvidos na região.
Já que o músculo transverso do abdômen e multífido fazem parte do power house. A ativação correta desse grupo muscular durante a prática de pilates contribui para uma estabilização lombo-pélvica necessária para todos os indivíduos com ou sem dor.
Exercícios indicados para pacientes com Hérnia Lombar
Exercícios tradicionais de fortalecimento dos músculos abdominais e de extensores de tronco tem sido alvo de críticas por submeter à coluna vertebral a altas cargas de trabalho aumentando o risco de uma nova lesão.
Pesquisas sugerem que sem a ativação correta dos estabilizadores profundos do tronco, as recidivas do quadro álgico são notadas com muita frequência.
Com os exercícios de pilates realizados de maneira correta e supervisionados por um profissional, conseguimos a ativação correta da musculatura estabilizadora da coluna lombar para trabalhar com o paciente de forma global.
Principais objetivos a serem trabalhados na Hérnia Lombar:
Estabilização da coluna lombar;
Dissociação coxo-femoral;
Fortalecimento abdominal;
Fortalecimento Paravertebrais.
Tratando Hérnia com Pilates
As primeiras aulas devem ser voltadas para o aprendizado da contração correta do transverso do abdômen e o multífido lombar.
Início sempre com um programa seguindo as etapas do modelo de exercícios estabilização segmentar vertebral, desenvolvido por Richardson, Hodges e Hides que é dividida em três estágios:
Cognitivo: Educar a maneira correta da contração da musculatura estabilizadora.
Associativo: O objetivo é manter a contração destes músculos ao mesmo tempo em que são realizados movimentos dos membros e do tronco. Nesta fase inicia-se o treino de atividades de vida diária.
Automático: Realização de exercícios que proporcionem desafios e gestos esportivos, realizados com cuidado para assegurar que não haja compensação.
Alguns alunos no início das aulas precisam utilizar outros recursos fisioterapêuticos para auxiliar no tratamento.
Trabalho com terapia manual e RPG, e costumo aplicar Maitland e miofascioterapia no início da aula ou no final dela, dependendo de como o paciente se apresenta.
Quando necessário também utilizo a eletroterapia (US e TENS). Mesmo que a estimulação elétrica nas suas formas mais variadas (TENS) não apresente nenhuma evidência que justifique sua utilização.
Os estudos publicados mostram que não há fundamentos importantes estabelecendo o seu valor.
É claro que deve haver a colaboração do paciente em relação à presença nas aulas, seguir as orientações em relação à execução das AVD’s, respeitar o tempo de reabilitação para retorno ás atividades deixada de lado devido à dor.
Tudo isso para que o tratamento conservador tenha sucesso evitando recidivas ou até o tratamento cirúrgico.
Concluindo…
A literatura aponta como benefícios do método pilates, melhora do condicionamento físico, melhora da circulação, melhora da postura, diminuição da dor, melhora da força muscular, melhora da flexibilidade, melhora da consciência corporal e da coordenação motora.
Esses benefícios ajudariam a prevenir lesões e proporcionar alívio das dores crônicas.
Pilates pode ser uma ferramenta importante para os fisioterapeutas na reabilitação , por ter uma gama de exercícios que promovem decoaptação articular, crescimento axial, fortalecimento e alongamento muscular onde são utilizadas poucas cargas e como números de repetições diminuídos e também por apresentarem apenas contra-indicações relativas que não interferem na aplicabilidade da técnica, mais somente exige um cuidado do profissional habilitado.
O número de praticantes não vem acompanhado com o concomitante desenvolvimento de pesquisas é necessário maior número de pesquisas abordando mais variáveis.